No final do inverno, os campos começam a tornar-se amarelos. É o Tojo que chega, atraindo as abelhas, pequenas e grandes, e assim a polinização acontece.
Ainda está bastante frio, e as árvores continuam em hibernação. Mas o Tojo, não. Todo dourado, traz esperança e nos inspira a poetizar, pois suas cores irradiam calor em contraste com a névoa fria e úmida das manhãs geladas.
O Tojo resgata a paixão adormecida pelos longos dias de inverno, equilibra o masculino e o feminino e já nos prepara para o Equinócio, quando dia e noite têm a mesma duração.
Nesse período do ano, vibra a esperança de dias mais quentes e luminosos, mas também de muito trabalho. É hora de arar a terra nova, pois a do ano que passou descansa para recuperar-se.
O Tojo é o décimo sétimo Ogham e pertence à quarta família, do Abeto – Ailim.
Para subir ao topo de uma árvore, é preciso saber em qual galho segurar e em qual se apoiar.
O tojo (Ulex europaeus), com seus espinhos firmes e flores amarelas como brasas acesas, é um arbusto que transforma os campos agrestes em paisagens de fogo dourado. Cresce em solos pobres, pedregosos ou arenosos, em encostas, serranias e clareiras, como se desafiasse a aridez e o vento. É justamente onde nada mais parece vingar que o tojo se expande em abundância, cobrindo o chão áspero com sua resistência luminosa.
Sua floração é longa e generosa: começa no inverno, quando o frio ainda governa, e já em janeiro os primeiros pontos de amarelo surgem como lampejos de sol. Essa vitalidade se prolonga até junho em muitas regiões, tornando o tojo um prenúncio da primavera e um sinal de que a vida não se rende ao rigor da estação.
Mais do que presença na paisagem, o tojo também deixou marcas na cultura popular. Por ser altamente inflamável, era colhido para acender fornos e alimentar fogueiras — sobretudo nas festas de São João, quando sua queima era vista como ritual de purificação e renovação. Também servia para aquecer lareiras ou mesmo para cercar terrenos, aproveitando seus espinhos como defesa natural. Na tradição popular, o tojo chegou a simbolizar tanto a proteção contra males quanto a esperança, já que floresce quando a terra ainda parece adormecida.
Embora cada arbusto tenha um ciclo de vida finito e acabe por dar lugar a outras espécies, o tojo retorna com força, espalhando-se sempre que o solo se abre à sua presença. É abrigo de aves e pequenos animais, é resistência viva da natureza. Sua lição é simples e poderosa: florescer quando tudo em volta parece árido, resistir onde poucos resistem, e ainda assim entregar beleza e calor ao mundo.
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Bênçãos plenas
Carmo Tavares