Jornada pela Janela de Fionn

Janela de Fionn

A jornada se inicia ao abrimos a janela

A Janela de Fionn,
nela, trilhamos quatro ciclos,
quatro famílias que tecem a travessia, primeiro do corpo, depois da alma.

O primeiro ergue-se com a Bétula, arauto da batalha.
Beith ordena: despe-te das vestes pesadas,
abandona o que não serve,
entra leve na arena da vida.
A Bétula é árvore clara que desprende casa por casca como o véu do início,
o clarim que desperta os guerreiros.

O segundo ciclo floresce no Espinheiro Branco,
a família da prosperidade.
Aqui se aprende o equilíbrio,
a proteger-se contra os excessos,
a cultivar a medida justa das coisas.
É tempo de sabedoria,
tempo de colher com gratidão,
tempo de compreender que a verdadeira riqueza
não é acúmulo, mas harmonia.
hÚath é repouso cuidadoso, prepara o coração para o que virá,
purificando os desejos para que possamos, adiante,
encontrar o sagrado através do belo.

O terceiro ciclo abre-se com a Música, Muin é seu início, a Videira
e encontra seu fim no Sabugueiro, o Ruis.
A música é múltipla e vasta,
ela se derrama pelos galhos da vida,
convida-nos a sentir, a dançar, a contemplar o belo,
a entrar em contato com o divino pela melodia.
Mas também exige cuidado:
menos é mais, diz o ritmo secreto;
é preciso equilíbrio para não nos perdermos em ilusões,
nem nos embebedarmos nos encantos fáceis.
E, no meio desse cântico, a vida impõe suas provas.
Provas dolorosas, necessárias,
para que possamos crescer e aprender.
E então chega o Sabugueiro:
ele corta, ele separa, ele rompe.
É o guardião da travessia,
aquele que, com dor e marcas,
nos prepara para a última passagem.

E assim se abre o quarto ciclo: o do Conhecimento.
Não é saber terreno, mas visão que toca os deuses.
Aqui a Janela de Fionn é conclusão e início,
não em fim, mas em revelação.
É o ponto em que corpo e alma se unem no eterno,
em que os véus caem,
e a claridade se faz plena.
O Conhecimento é chama,
é silêncio, é eternidade.
É o selo final da travessia.

Quatro ciclos, quatro famílias.
Uma janela, uma jornada.
E quem ousa atravessá-la
jamais retorna o mesmo,
pois já se tornou parte do canto eterno de Fionn.