Beltane

eu beltane

Percebi, há muito tempo, que não consigo festejar Beltane. Desde 2001 noto isso. Entre 30 de abril e 1º de maio, acontecem coisas na minha vida: perdas, mortes, doenças, acidentes, traições. Isso vem ano sim, ano não, depois ano sim, ano sim.

E este ano me levou a uma reflexão. Fiquei doente justamente quando estava muito empolgada para fazer um rito de Beltane. Só consegui melhorar vinte dias depois.

Assim que consegui sair, acabei entrando numa mata. Em Bombarral, aqui em Portugal. E o meu Beltane não foi acender vela, não foi fazer nenhum ritual propriamente dito. Meu ritual foi dentro da mata. Foi com a natureza. Foi no contato com um Carvalho antigo, no contato com o Medronho, no contato com um lindo Sobreiro.

E foi tudo tão natural. Aguardava meu marido com o carro estacionado próximo a uma mata. É claro que fui conhecer. Assim que entrei, me sentir em casa com minhas amigas. A primeira a me receber foi o Carvalho. Sua força me lembrou da necessidade em trabalhar a estrutura, a sabedoria e a força.

Continuei caminhando pelo chão de terra, ouvindo o canto dos passarinhos e me deparei com o Sobreiro, a árvore da cortiça – pena que não tirei foto. Mas seu recado é de regeneração constante, resistência e proteção. Entendi sua mensagem. Continuei minha caminhada pela trilha e encontrei o Medronho, que nos ensina sobre moderação. Fruto da sabedoria e tentação. Apenas um, diziam os sábios.  Logo a seguir, uma surpresa. A árvore dos desejos. E, mais uma vez, sem querer, eu tinha lápis e papel na bolsa e lá deixei o meu pedido.

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Depois de encontrar água fresca e meditar, logo na saída, estava o loureiro – também não tirei foto.

Mas sua mensagem, desde a antiguidade, é de vitória e prosperidade.

Acho que foi essa a lição deste Beltane.

Desejo a todos a força do Carvalho, a resistência e proteção do Sobreiro, o equilíbrio e moderação do Medronho e a vitória do Loureiro. E que todos os vossos desejos sejam realizados.

Awen